O Salmo da cruz

Por Oscar Elias Jans



Salmo 22, o Salmo da cruz - Caminhando com a Palavra #7


Mais uma expressão poética, oração de Davi


O meu titulo para o mesmo é:


Do sofrimento da cruz

Ao banquete da alegria, só em Jesus!


Vamos observar brevemente a estrutura deste Salmo:


1ª. Parte: 1-11(12-21); O clamor por socorro e descrição do sofrimento se estendem do inicio até o v. 21, encerrado com a certeza marcante: Tu me ouviste, tu me respondeste.

Esta primeira parte tem como destaque, segundo Kidner, em seu comentário sobre os Salmos: “uma alteração palpitante de seções eu/me, sempre aumentando em tamanho(1-2; 6-8; 12-18), com seções Tu, sempre mais urgentes e instantâneas(3-5; 9-11; 19-21). No versículo 22 terá início uma mudança deste padrão de alteração, para um círculo que rapidamente se expande, de louvor e visão, até o final, v. 32.

a. Descrições de abandono, dor angustia (1-11)


Ante a zombaria e o escárnio, o salmista se volta para o Senhor. Clama: Se começou com “Por que me abandonaste”?), termina aqui com “não fiques longe de mim”.(v. 11).


b. Por meio de imagens, descrição de causadores do sofrimento que o fazem ser mais intenso (v. 12-21).


O destaque desta parte do lamento é que são apontados quatro seres vivos causadores do sofrimento, a partir do v. 12. Quando são mencionados na primeira vez, estão nesta ordem: os touros, o leão, os cães e o bando de homens maus. Ao suplicar que Deus o salve e livre, ele os relaciona, mas na ordem inversa. Observe só:


19 Mas tu, Senhor, não fiques distante de mim!

Minha força, apressa-te em me ajudar(socorrer).

20 Livra a minha alma da espada;(relacionada aos homens maus)

Minha vida(única, preciosa) do poder(ataque) dos cães.

21 Salva-me da boca dos leões,

E dos chifres dos touros selvagens:


Mas aí, no final do v. 21, uma chama inconfundível se acende:

A expressão hebraica Anitani: Me ouviste, me respondeste.

Então se encaminha:


c. O futuro, o jubiloso triunfo! O banquete da alegria! (v. 22-32)


Ainda que rememore a dor e sua libertação, o que resta agora é uma expressão clara de total esperança, fé e entusiasmo.


Testemunha que foi ouvido (v. 21), que o Senhor não escondeu do sofredor o rosto, mas ouviu seu grito de socorro (v. 24b). E fecha com a expressão: Feito está pelo Senhor! ou: Pois Ele agiu poderosamente (v. 32).


Neste Salmo se conjugam a paixão e morte e a glória da ressurreição!


A sexta-feira que termina no domingo da vitória sobre a morte! E tal celebração tem um alcance universal, envolvendo humildes, mas também ricos e poderosos. Todos celebram e se prostram em adoração ao que triunfou!


É o Salmo mais citado na segunda parte da Bíblia, o Novo Testamento. Além de a exclamação inicial ser uma das palavras que JESUS proferiu na cruz, partes dele são mencionadas no relato da paixão de Cristo pelos evangelhos, como por exemplo o perfurar das mãos e pés, e o sorteio das roupas.


Estudiosos concordam que esta primeira parte de lamento e sofrimento não poderia ser Davi descrevendo algum momento de sua vida nesta intensidade. Por isso, mais uma vez, este autor é profético, apontando para alguém além dele: O Messias esperado!


O que quis Jesus dizer ao mencionar este Salmo, em seu início? Teria Jesus expressado, no momento da recitação, esta condição de completa desolação e desesperança? Sim, e não!

Obviamente que, nenhum de nós é capaz de dimensionar o peso trucidante de dor e angústia que tomava conta de Jesus. Com certeza, por causa do peso do pecado do mundo inteiro que Ele tomou sobre si, grande foi sua agonia. Tal condição causou o distanciamento do Pai, o que lhe era estranho e inquietante.


Mas, por outro lado, ao mencionar as palavras iniciais do Salmo 22, ele está declarando algo bem mais intenso, segundo estudiosos de hábitos de leitura de trechos da Escritura da época de Jesus.


O costume na época de Jesus, que ainda persiste hoje em reuniões de tradição judaica, é de que, quando se procede a leitura, e se menciona apenas o início de um texto, como dos Salmos, está se fazendo referência ao texto todo.


Então, em seu momento na cruz, Jesus menciona e recita o Salmo 22 na sua totalidade, um hino, um brado em que o desespero é superado pelo triunfo e alegria. Dai se torna significativo, neste sentido, que Lucas menciona que Jesus, antes de morrer, tenha dito: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espirito”(ou seja, não estava desamparado, desesperado)e o evangelho de João registre que Ele tenha dito: “Está consumado”, ou está feito(que é a ultima declaração do Salmo 22!). Na totalidade do Salmo se conjugam a crucificação e a gloriosa ressurreição!


Destaco três aprendizados aqui, três aplicações para a vida de cada um que se depara com este Salmo:


1. Ao ler e meditar neste Salmo, o faça com vagar. A cruz de Jesus está como pano de fundo. Deixe-se envolver por esta atmosfera da exposição do filho de Deus a agonia e ao sofrimento, em razão de seu amor por nós. Lutero disse que “toda pessoa que está rodeada de tentações e tribulações, pode e deve encontrar identificação e socorro neste Salmo”.


2. Perceba a intimidade do salmista em repetir tu, Senhor, meu Deus. Sabe de mim já no útero e, por fim, ouves a minha oração. Sim. Creia nisto. Deus sempre nos ouve. Você tem procurado esta intimidade? Esta disposição de ficar a sós com o Pai, falando com Ele e ouvindo a Ele também? O que segue a Jesus, seu discípulo, aprofunda esta relação, cresce nesta intimidade. O destaque é que, não importam as circunstâncias, o que fundamentalmente a pessoa precisa, acima de tudo, é a presença do Senhor. Foi por isso que Jesus, repetidamente, dizia: Venham a mim, sigam-me. No seguimento de Jesus somos preenchidos pela presença acolhedora do Pai, que chegará à plenitude nos novos céus e nova terra.

3. Observe o modelo comunitário deste Salmo, sobretudo depois do v. 21. Cristo foi para a cruz sozinho, a ponto de sentir o abandono. Mas ele nos ensinou a dimensão pública, comunitária e plural da vida cristã, da vida do discípulo. D. Bonhoeffer afirmou: “Todos entram sozinhos no discipulado, mas ninguém fica sozinho nele. A pessoa que ousa tornar-se indivíduo, ou seja, ser discípulo, confiante na Palavra, recebe a comunhão da Igreja.” Só Cristo sofreu de forma tão intensa a primeira parte descrita, mas a segunda parte, esta explosão de alegria, júbilo, podemos encontrar na devoção a Ele!


Por isso, meu amigo e minha amiga, volte-se para este Cristo, fique ao redor dele, mesmo o contemplando na cruz, pois Ele ali sofreu mas venceu, e nos presenteia com sua presença constante e a comunhão alegre e vigorosa dos que nele creem.


Do sofrimento da cruz

Ao banquete da alegria, só em Jesus!


Continue caminhando com a Palavra, caminhando com Jesus.


P. Oscar Elias Jans

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