O esporte como ferramenta para o evangelismo, o discipulado e a mentoria

Um bate-papo com Alex Dias Ribeiro, Paulo Silas e Fabio Mika

Por Fabrícia Oliveira


Os Ministérios Homens Mentores e Mulheres Mentoras apresentam mais uma edição do Tempo de Mentoria. A seguir, você confere um resumo da conversa entre Daniel Vargas e Ilaene Schüler, líderes de HM e MM, com Alex Dias Ribeiro, ex-piloto de Fórmula 1, Paulo Silas, ex-jogador do São Paulo e da Seleção Brasileira, e Fabio Mika, ex-goleiro do Ponte Preta.

Dentre diversos assuntos, Alex, Paulo e Fabio compartilham suas experiências de vida e carreira, incluindo a inspiradora atuação nos Atletas de Cristo — movimento integrado por esportistas cristãos que se dedicam ao evangelismo e à cooperação entre igrejas, atletas e torcedores. Na live, eles falam da importância da mentoria no mundo dos esportes e abordam princípios sobre discipulado nesse ambiente. Um conteúdo enriquecedor para pastores, líderes e toda pessoa que deseja implementar ações criativas para um discipulado transformador. Confira!

Um pouco de história


Desde jovem, Alex Dias Ribeiro sonhava em ser piloto. Aos 18 anos, ele e uma turma de amigos construíram o “primeiro carro de corrida brasiliense”, que o projetou como piloto de Fórmula 1, tornando-o conhecido no Brasil e no exterior. Depois que encerrou sua carreira nas pistas de corrida, reinventou-se como agricultor. Atualmente, entre diversas atividades, é comentarista convidado em importantes veículos. Capelão em sete Copas do Mundo e em quatro Olimpíadas, palestrante e autor de oito livros, entre eles Força para Vencer, disponível no site da Sepal, foi também diretor dos Atletas de Cristo. Para conhecer o site do movimento, clique aqui.


Silas foi jogador do São Paulo e da Seleção Brasileira, integrando as equipes das Copas do México, em 1986, e da Itália, em 1990. Hoje, é comentarista nos canais ESPM. Por seu bom testemunho de fé, uma pesquisa de opinião pública realizada no início de 1987 o revelou como o cristão mais conhecido e respeitado na ocasião¹. Por isso, foi escolhido como garoto propaganda do livro Força para Viver, de Jamie Buckingham, conhecido como “o livro do Silas”, publicação largamente distribuída e que registrou o marco de 600 mil testemunhos de conversões ao evangelho, conforme apurações dos Atletas de Cristo.


Fabio Mika é vice-Presidente dos Atletas de Cristo no Brasil e pastor de jovens na Igreja do Nazareno Central, em Campinas (SP), hoje com mais de 800 adolescentes. Ex-goleiro do Ponte Preta, também atuou em times como a Associação Desportiva Cabofriense, o Porto Alegre Futebol Clube e o Tombense Futebol Clube. Fabio teve várias experiências internacionais, ministrando, por meio dos Atletas de Cristo, “clínicas” na Austrália, Myanmar, Tailândia, Vietnã, Malásia, Chile, Quênia, Uganda, Burundi, Madagascar, África do Sul, Indonésia, Laos, Japão, Ilhas Fiji e Cingapura.


Evangelismo e discipulado no mundo dos esportes


Para Alex, sua jornada com Cristo teve como pano de fundo seu sonho em ser piloto e a posterior vivência nas pistas. Seu primeiro “carro de corrida” foi construído por ele mesmo, com um caixote de bacalhau da Noruega. Quando completou 18 anos, tinha bastante conhecimento na área automobilística, mas não sabia como viabilizar sua carreira, por questões financeiras. Foi então que, como diz, apelou para Deus, prometendo que, caso conseguisse realizar o seu sonho, iria ser um “anunciador do evangelho pelos quatro cantos do mundo”.

Seu pedido foi atendido: ele e seus amigos, Helládio Toledo, Zeca Vassalo e João Luis — a Turma da Camber —, construíam um carro de corrida com as sobras de um fusca. Mesmo sem projeto, o veículo estreou nos 500 km de Brasília, a segunda maior prova do automobilismo brasileiro na época². Embora construído com escassos recursos e largando em último lugar, teve excelente performance, conquistando a segunda posição na disputa. Posteriormente, o veículo foi apelidado de “Patinho feio” e, recentemente, se tornou tema de um documentário dirigido por Denilson Félix, roteirista brasileiro.

Alex Dias Ribeiro e o “Patinho Feio”, em Interlagos (SP). Fonte: Perfil Pessoal

Alex Dias Ribeiro e o “Patinho Feio”, em Interlagos (SP). Fonte: Perfil Pessoal

A oficina em que o carro nasceu foi celeiro da carreira de três pilotos de Fórmula 1: do próprio Alex, de Nelson Piquet e de Roberto Pupo Moreno. Como forma de gratidão a Deus, Alex sempre levou a mensagem “Cristo Salva” em seu carro, escrita em diversos idiomas, dependendo do país em que disputava. Não foi campeão do mundo nem bateu nenhum recorde, porém ficou conhecido como “Alex Cristo Salva” no mundo automobilístico.


Alex ganhou experiência, participou de várias competições, mas encerrou sua carreira aos 28 anos, quando perdeu os patrocinadores. Frustrado por deixar as corridas no auge da juventude, dedicou-se à agricultura por alguns anos. Em 1986, porém, Deus colocou em sua vida a oportunidade de liderar a missão Atletas de Cristo, movimento que tem desempenhado um papel singular no meio esportivo.


É nesse ambiente marcado por pressão, ansiedade, assédio, ostentação e altos níveis de exigência que os Atletas de Cristo têm influenciado vidas por meio de iniciativas que promovem valores pautados na Palavra de Deus. Além disso, realizam missões no Brasil e no exterior, utilizando os esportes como ferramenta para difundir a mensagem de Jesus e viabilizar discipulado e mentoreamento.


“Servindo a Cristo, correndo junto e alcançando muitos”

Silas conta que conheceu Alex Dias Ribeiro em 1984, ano em que a missão Atletas de Cristo chegou a São Paulo. Ele já conhecia o evangelho e passou a ir às reuniões ministradas na casa do ex-piloto. Ali, tinha contato com assuntos pertinentes às demandas de seu dia a dia: fama, administração das finanças, frustração, casamento, pressão, estresse emocional e vida espiritual. Nesses encontros, ele e outros participantes eram mentoreados por discipuladores mais experientes num espaço de cuidado intencional. É justamente com esse modelo de discipulado que o frutífero trabalho de Atletas de Cristo tem impactado a vida de um incontável número de pessoas: são discípulos que fazem discípulos!


Exemplos como o de Silas e Alex nos mostram a importância da intencionalidade em fazer discípulos. Alguém que intencionalmente deseja caminhar junto com o outro em uma mentoria é capaz de mobilizar muitas outras pessoas através do discipulado. Nesse contexto, também se destaca a “relação de iguais”, a qual permite que os envolvidos se comuniquem na mesma sintonia, pois os mentores possuem a mesma linguagem e entendem o que o mentorado pensa, por já terem vivenciado situações parecidas em sua vida.


No contexto dos esportes, um atleta entende o outro e pode oferecer cuidado adequado e oportuno. Por falarem a mesma língua, a vivência do discipulado e do mentoreamento tende a ser sinérgico, significativo e altamente empático.

No que se refere ao ministério pastoral e à liderança, a “relação de iguais” gera um espaço em que os líderes podem ser cuidados e cuidar de outros, dando-lhes subsídios para compartilhar suas demandas ministeriais e encontrar apoio, cura e estímulo. Um pastor ou líder cuidado certamente cuidará de sua comunidade, influenciando positivamente a igreja e todos que por ele são discipulados, gerando um movimento virtuoso.


“Um pastor ou líder cuidado certamente cuidará de sua comunidade, influenciando positivamente a igreja e todos que por ele são discipulados, gerando um movimento virtuoso.”

Discipulado, Capelania e Mentoria


Existem três expressões diferentes no mundo dos esportes: Discipulado, Capelania e Mentoria. Tais conceitos são vistos da seguinte maneira pelos Atletas de Cristo:

Discipulado, no contexto cristão, tem por base o modelo que Jesus empregou na caminhada com os doze discípulos. Jesus os formou para que dessem continuidade à obra que Ele começou. O grupo dos doze foi tão bem treinado que hoje temos acesso ao evangelho — é justamente esse modelo que os Atletas de Cristo aplicam no relacionamento com os esportistas.

Capelania tem em suas origens o trabalho dos capelães militares, que eram pastores ou padres que iam à guerra para dar suporte emocional aos soldados, ajudar no cuidado aos feridos e ministrar a extrema unção aos que morriam. No esporte, é “ir junto para a batalha”, para ajudar o atleta na manutenção de sua vida, dando-lhe o suporte suficiente para vencer as pressões que vêm de todos os lados: da torcida, da imprensa, da família etc.


Mentoria denota o relacionamento entre um mentor e um mentorado — ou entre um discipulador e um discípulo. O mentor já tem experiência em determinadas questões do cotidiano do mentorado e pode transmitir-lhe resiliência necessária para sobreviver às pressões. No âmbito esportivo, por exemplo, um mentor ou discipulador pode auxiliar os mais jovens, aconselhar os que atingiram o auge e dar suporte aos que estão se aposentando, vendo-os como seres humanos e não como máquinas, estimulando-os a utilizar todo o potencial para o qual foram criados. Esse mesmo princípio se aplica à vivência do discipulado na igreja: um modelo que todo pastor e líder pode seguir.


Tal proposta de cuidado intencional está em consonância com o que está escrito no Salmo 145: “Uma geração contará à outra a grandiosidade dos teus feitos” (v. 4-6). O discipulado e a mentoria no contexto cristão deixam um legado às pessoas envolvidas no processo e trazem inspiração para que cada um aprofunde a sua comunhão com Deus e tome decisões que afetarão positivamente a sua vida.


Seu exemplo pessoal: sua autoridade para mudar vidas


Um mentor é aquela pessoa a quem podemos recorrer para obter direcionamento, conselho e lições de vida. Naturalmente, ele tem de ser alguém com experiência e um testemunho pessoal que transmita segurança ao mentorado. É o mentor quem incentiva a prática de valores como a boa estruturação familiar, o equilíbrio entre o pessoal e o profissional, a manutenção de relacionamentos significativos e a integridade.

Elucidando a importância da mentoria no âmbito esportivo, Silas aponta que 78% dos jogadores de futebol entram em falência, se divorciam e ficam desempregados dois anos depois da aposentadoria. Segundo ele, isso acontece justamente porque tais atletas não tiveram um mentor que os acompanhasse ao longo da caminhada e os ajudasse a fazer uma transição bem estruturada ao término da carreira. Tal dado, sem dúvidas, nos faz refletir sobre a urgência por bons mentores em todas as esferas da sociedade. Nós, como igreja, não podemos estar alheios a isso.


Falar em mentoria e discipulado é falar em relacionamentos, influenciar, deixar uma herança para os outros. Isso é refletido, inclusive, na própria vida do apóstolo Paulo, mentor de Timóteo. Paulo não oferece somente teologia impessoal, mas traz um modelo de vida cristã voltada para o próximo.

Ficou curioso para saber mais sobre o tema? Assista ao vídeo na íntegra e acompanhe mais detalhes do edificante testemunho de Alex Dias Ribeiro, Paulo Silas e Fábio Mika.


Fontes pesquisadas:

¹ Jornal Atletas de Cristo: Ano 27, Número 249.

² Quatro Rodas: “Patinho Feio”: clássico do automobilismo nacional ganha documentário. >>https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/patinho-feio-classico-do-automobilismo-nacional-ganha-documentario/<< acesso em 10/05/2020

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