Discipulado: vulnerabilidade e crescimento


Por Ilaene Schüler


“Chegou a Éfeso, um judeu, natural de Alexandria, chamado Apolo. Homem eloquente, poderoso nas Escrituras, instruído no caminho do Senhor. E, sendo fervoroso de espírito, falava e ensinava com precisão a respeito de Jesus, conhecendo apenas o batismo de João. Apolo começou a falar ousadamente na sinagoga.


Quando Priscila e Áquila o ouviram falar, levaram-no consigo e, com mais exatidão, eles lhe expuseram o caminho de Deus. Quando ele resolveu percorrer a Acaia, os irmãos o animaram e escreveram aos discípulos para que o recebessem bem; tendo chegado Apolo, auxiliou muito aqueles que mediante a graça haviam crido. Porque com grande poder convencia publicamente os judeus, provando por meio das Escrituras que Jesus é o Cristo” (Atos 18.24-28).


Priscila e Áquila expuseram a Apolo “com mais exatidão os caminhos de Deus”. Apolo entendeu que, apesar de saber muito, deveria aprender algo mais. Para isso, não poderia se colocar numa posição de “eu sei tudo, sei falar bem, já tenho grande conhecimento”. Por ser alguém ensinável, Apolo se submeteu em amor a Priscila e a Áquila para aprender, tornando-se uma bênção para a Igreja Primitiva. Ser ensinável é a virtude de alguém que tem desejo de crescer.


“Ser ensinável é a virtude de alguém que tem desejo de crescer”. Ilaene Schüler

Precisamos ser confrontados com a verdade e nos submeter ao ensino, à repreensão, à correção e à educação na justiça que a Palavra nos propõe (Tm 3.16-17) e, desta maneira, experimentar crescimento que nos possibilita apresentar-nos como servos de Deus, perfeitamente habilitados para toda boa obra. Nesse processo de crescimento, a Palavra deixa de ser somente uma informação e passa a gerar transformação em nossa vida.


No contexto do relacionamento com Priscila e Áquila, Apolo é confrontado com a Palavra de Deus, identificando e recebendo o que faltava em sua vida e ministério. Essa dinâmica, fruto de um diálogo pautado pela disposição de ouvir e aprender, nos inspira a também abrir espaço para a troca que resulta em crescimento, aperfeiçoamento e comunhão.


Por conta de uma agenda sobrecarregada com inúmeras atividades, perdemos de vista o convite de Deus para crescer intencionalmente, ou seja, o processo de desenvolvimento que se inicia com propósitos claros e ações concretas, em que há comprometimento. Como ele acontece?


Passos essenciais para o processo de crescimento


O processo de crescimento começa primeiro com a consciência da necessidade de mudança.


Para o filho pródigo de Lucas 15, o “caindo em si” (v.17) é resultado de olhar para sua realidade e compará-la com a casa de seu Pai. Ele começa o processo de mudança quando compara o estado deplorável em que está vivendo com a casa do Pai, com quem o Pai é e com o convite de relacionamento que o Pai tem para ele. A referência para a mudança é o Pai e sua Palavra.


Com isso, podemos compreender que em todo processo de crescimento é essencial, primeiramente, uma convicção da necessidade de mudança ao conhecer a verdade sobre nós mesmos a partir do que Deus e Sua Palavra nos mostram. Para experimentar crescimento, precisamos aprender a ouvir Deus falar conosco, identificar onde precisamos ajustar nossa vida e deixar o pecado ou as atitudes que nos impedem de crescer.


Em segundo lugar, para experimentar crescimento, é fundamental estar num relacionamento de discipulado no qual pessoas investem em nossa vida, assim como Priscila e Áquila fizeram com Apolo.


Ao escrever aos Coríntios, Paulo diz que há um crescimento que vem de Deus, que nos leva à estatura de Cristo, como resultado de ter pessoas que plantam e regam nossa vida (1Co 3.6).


Para vivenciar um crescimento intencional, precisamos de pessoas e desse lugar de transparência, para falar da nossa angústia e dor, de nosso medo ou pecado. Com isso, experimentamos o que 1João 17 promete: “se andarmos na luz como Ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros e o sangue de Jesus nos purifica de todo pecado”.


Aprender a andar na luz é andar em espaços em que podemos ser transparentes e trazer dúvidas e pecados, áreas de crescimento ou aquilo que o Espírito está trabalhando em nós. Ao fazermos isso, podemos experimentar comunhão uns com os outros e nos tornamos parceiros de Deus no que Ele quer trabalhar em nós.


Em terceiro lugar, no relacionamento de discipulado que gera crescimento, é necessário estar disposto a se deixar ensinar e influenciar por quem caminha junto e prestar contas das iniciativas de mudanças. Isso é vulnerabilidade!


Vulnerabilidade e transparência


Transparência é ir além das aparências. É a habilidade de transparecer a essência, sem medo do julgamento alheio. Para tanto, para que uma pessoa se sinta à vontade para ser verdadeiramente autêntica, é necessário proporcionar-lhe um ambiente de graça, onde poderá compartilhar suas alegrias e angústias.


Assim, seguindo esse modelo, ao falar sobre si, precisa dar o passo seguinte: comprometer-se com o processo de mudança. Para isso, deve se colocar vulnerável, submetendo-se em amor às pessoas que caminham consigo em discipulado. Um ambiente de acolhimento e de graça possibilita tal nível de confiança, que favorece o ouvir, o aprender e o obedecer, abrindo passo ao crescimento intencional.


Submissão em amor


A submissão em amor num grupo de discipulado não reduz nem tira a responsabilidade pessoal no processo de crescimento. Ao contrário, discipulado é uma relação de interdependência. Ao permitir-nos ouvir e ser influenciados pelo outro, mantendo, contudo, a responsabilidade pessoal nas tomadas de decisão acerca do que queremos fazer, poderemos crescer.


Apolo — convicto pela Palavra de Deus da necessidade de mudança, desejoso de crescer, aberto à influência de outras pessoas idôneas — tem com Priscila e Áquila um relacionamento de confiança, num ambiente de graça. Isso possibilitou a ele submeter-se em amor, a ponto de deixar que os líderes lhes expusessem os caminhos de Deus. Assim, Apolo pôde se tornar o homem que Deus queria que ele fosse.


Como discípulos de Jesus, que Deus nos dê fome e sede de aprender e obedecer e um alto nível de compromisso com nosso processo de crescimento junto com nosso grupo de discipulado.


Para refletir:


  • Caso não tenha um grupo de discipulado, pense em uma pessoa que poderia caminhar mais próximo de você. Quais características dela lhe inspiram confiança? De que maneira poderia contatá-la e propor-lhe uma jornada de crescimento mútuo?

  • Qual área de sua vida precisa ser desenvolvida? De que forma Deus tem mostrado essa necessidade?

  • De zero a dez, que nota você daria para seu nível de convicção de mudança? Caso considere sua nota insatisfatória, como poderia melhorá-la? Quais passos práticos poderia começar a dar hoje mesmo?

  • Como você pode crescer em seu nível de compromisso em seu grupo de discipulado? Como isso se traduz em atitudes, comportamentos e prioridades?

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