Como discernir se um relacionamento de ajuda está sendo benéfico?

“Quando nossa vida está um caos, qualquer oferta de ajuda parece um oásis em meio ao deserto. Mas, será que toda ajuda é realmente bem-vinda?”

Por Ilaene Schüler


Há algumas frases e provérbios que nos acompanham por toda a vida, os quais citamos em certos momentos. Eu cresci ouvindo que “toda ajuda é bem-vinda”. Você também já ouviu essa afirmação?

Sabe aquele dia em que você não sabe por onde começar, em que se sente aflita com tantas demandas; que dá vontade de sentar e se lamentar como Hardy, a famosa hiena dos desenhos animados: “Oh céus, Oh vida! Oh azar!”

Quando nossa vida está um caos, qualquer oferta de ajuda parece um oásis em meio ao deserto. Mas, será que toda ajuda é realmente bem-vinda?

A Bíblia fala que a edificação é mútua e experimentada no contexto dos relacionamentos construídos no Corpo de Cristo, a igreja. No convívio com os irmãos, a ajuda pode acontecer de diferentes maneiras: aconselhamento, mentoria, discipulado, entre outras. No tocante ao assunto, duas perguntas me inquietam e me levam a refletir mais profundamente:

A primeira é esta: Quais são as características das relações de ajuda que promovem o crescimento das pessoas, seja aconselhamento, discipulado ou mentoria? Já a segunda é: Será possível definir as características que fazem com que certas relações não ajudem, mesmo que esteja presente nelas um sincero desejo de promover o crescimento da outra pessoa?


Ao ponderar sobre essas questões, concluí que algumas características nas relações de ajuda facilitam mais o processo de crescimento do que outras. Compartilho alguns insights com você:

Relações de ajuda benéficas


Geram consciência da necessidade de cuidado: Ninguém muda ninguém.

Houve um tempo em que eu queria mudar o Daniel, meu esposo. Quando discordávamos de algo, eu procurava convencê-lo de que eu estava certa, e para isso usava toda a minha capacidade de persuasão. Quando ele cansava de ouvir, dizia: “está bom”. Mas, na verdade, não estava bom, o que Daniel queria era que eu parasse de falar. Eu ficava muito zangada e nossa discordância continuava ainda com mais intensidade, pois eu estava chateada.


Precisávamos de mudanças. Daniel devia se posicionar e não recuar no conflito, dizendo que “estava bom”, para encerrar a conversa. Eu, por outro lado, tinha de abrir mão da vontade de manipulá-lo com minha persuasão. Ganhamos ajuda de nosso grupo e conseguimos superar esses entraves. A ajuda de pessoas que caminharam conosco foi importante. No entanto, o tudo começou a melhorar quando nós dois tivemos consciência de que precisávamos mudar e pedir ajuda.

Para pedir ajuda precisamos deixas falsas crenças e comportamentos nocivos, como a autossuficiência, e entender que somos seres interpessoais, ou seja, que precisamos uns dos outros. É importante contar com esse “olhar de fora” que nos ajuda a ver os pontos cegos e as debilidades em nossas ações.


Promovem relacionamentos de confiança: Devemos investir tempo para estar junto com quem nos ajuda a crescer, a quem nos quer bem e nos faz ser melhores, ainda que para isso tenhamos de ouvir críticas construtivas. Isso nos leva ao próximo ponto.

"Devemos investir tempo para estar junto com quem nos ajuda a crescer, a quem nos quer bem e nos faz ser melhores, ainda que para isso tenhamos de ouvir críticas construtivas.”

Viabilizam a superação da vergonha de se expor: Se nosso interlocutor é alguém de confiança, podemos partilhar lutas e limitações. A vergonha é o medo da desconexão, ou seja, é apegar-se à ideia de que há algo sobre mim que pode gerar repulsa, desconexão e desprezo.

Para que um relacionamento significativo aconteça, temos de nos permitir ser vistos. Geralmente, o que nos mantêm fora de conexões mais profundas é o medo de que não sejamos merecedores. Isso é um erro, pois ninguém é perfeito! O que vão pensar de mim? Um ambiente de graça e aceitação nos ajuda no processo de superação e gera afirmação, aceitação e um olhar mais generoso sobre nós mesmas.

Criam um espaço de prestação de contas com foco em relacionamento. Expressão genuína do importar-se com o outro. Nesse ambiente que deve ser permeado de graça e aceitação, ganhamos habilidade de ouvir o feedback de companheiras quanto ao que devemos aperfeiçoar, mudar e amadurecer, sem que nos sintamos ameaçadas ou desqualificadas, pois desenvolvemos vínculos de cuidado que permitem o confronto em amor, encorajando-nos ao crescimento. 

Relações de ajuda que não promovem transformação

Em minha reflexão, também conclui que algumas características nas relações de ajuda dificultam o processo de crescimento, as quais listo a seguir:

Cultura de encontros somente para ensino teológico: Reuniões em que os participantes não falam de si, de suas lutas e experiências, o que pode fazer com que se escondam atrás de conceitos teóricos, sem aplicação na vida.

Cultura de culpa e insuficiência que nos faz sentir sempre aquém, que nunca conseguiremos ser boas o bastante. No que se refere à autoestima, por exemplo, isso pode gerar vergonha e complexos por não sermos magras, jovens ou bonitas o bastante.


Ao falar sobre o assunto em seu livro A coragem de ser imperfeito (Editora Sextante), Brené Brown, professora e pesquisadora da Universidade Houston (EUA), indica que uma das áreas que tem sido um gatilho poderoso para a baixa autoestima de muitas mulheres é a aparência e a maternidade. A sociedade enxerga a feminilidade e a maternidade como laços insolúveis. As mulheres são constantemente questionadas dos porquês de não terem se casado e, caso sejam casadas, da opção por não terem filhos; se tiverem, sobre as razões de não terem mais!


Como é libertador entender “quem devemos ser”, “o que devemos ser” e “como devemos ser”. As respostas a tais perguntas é uma descoberta que podemos fazer como filhas amadas de Deus.


Relacionamentos de discipulado no contexto de pequenos grupos propiciam um ambiente fantástico em que os irmãos recebem ajuda em sua jornada de autoconhecimento, e aceitação ao expressar suas vulnerabilidades — dinâmica que viabiliza a cura e a restauração do indivíduo em muitos sentidos: físico, emocional, espiritual.  

Disfunções nos relacionamentos


Muitas pessoas que estão envolvidas em relacionamentos de cuidado têm grande habilidade para cuidar. A disfunção acontece quando querem “salvar” a outra pessoa. Erram ao sair do papel de “cuidadoras” para o de “salvadoras”. Um exemplo disso é fazer mais pela outra pessoa do que fazem por si mesmas. Com isso, ainda que tenham boas intenções, desqualificam seu interlocutor na sua capacidade de se comprometer com o processo de desenvolvimento. Assim, cria-se um relacionamento de ajuda não saudável, pois gera dependência.


Toda ajuda é bem-vinda?

Sim, é bem-vinda quando estou consciente de que preciso dela; se desejo receber ajuda; se estou comprometida com o processo; e se contribui de forma saudável para meu crescimento.

Ilaene Schüler

Missionária Sepal, graduada em Teologia e especialista em Missão Urbana e Análise Transacional. Coordena o ministério Mulheres Mentoras, mobilizando mulheres em liderança para discipulado e mentoria.

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